Skip to main content

Relatos de Terapia 2- Você voltou!

Por que te falta paciência?

Depois da minha primeira vez, aguardava em minha sala no dia seguinte, pensando naquela cliente com medo de se abrir para relacionamentos, impaciente.
E assim como na primeira vez, ela surgiu abruptamente. Bateu na porta, e antes de eu responder, já estava sentada na cadeira à minha frente.
-Sei que reprograma as pessoas. Quero que me reprograme!
-Tudo bem, mas a reprogramação será feita quando tirar o sentimento que ancora essa mesma programação que há em você. O que quer reprogramar?
-Não tenho paciência com minha família.
-E com seus amigos?
-Também não.
-Com seus relacionamentos amorosos?
-Não tenho relacionamentos amorosos, não tenho paciência.
-Com quem tem paciência?
-Com ninguém!
Naquele momento ela se deu conta que não tinha paciência para oferecer a ninguém. Não oferecemos aquilo que não temos com a gente. A relação estabelecida com o outro primeiramente foi estabelecida conosco.
Ela sorriu.
-O que impede ter paciência com você mesma?
Ela sorriu mais uma vez, com o semblante de uma memória revivida. Apenas perguntei :
-Com quem foi?
-Meu pai, aos quatro anos de idade. Não acompanhava as crianças na leitura.
-A percepção dele sobre você pode ser ou não a sua percepção sobre si mesma. Bastou aceitar uma vez, agora basta cancelar, anular. Você já aprendeu que pode ter paciência e respeitar o seu tempo, o seu processo de maturação.
Levantou-se e me abraçou. Partiu. Não me falou o nome e nem me pagou.
Antes de fechar a clínica, Morgana trouxe-me uma flor e arrumou minha mesa da recepção. Me entregou um livro. Na capa a foto da minha cliente, tinha se tornado escritora, e seu nome era Ana.
Este texto pode ser útil a mais alguém, compartilhe. Curta!
Contato : autorlucasleonardo@gmail.com 




Comments

Popular posts from this blog

Reprogramação 2- Parado no caminho de novo?

Reprogramação 2- Parado no caminho de novo? Aqui vai um depoimento pessoal. No meu caminho para identificar a origem de crenças, acabei localizando uma memória ainda no útero de minha mãe. Uma memória de rejeição.  Não era a mim que ela rejeitava, era uma gravidez, um estilo de vida, uma relação dela com a percepção de realidade que ela tinha naquele momento.  Esse processo dela gerou em mim um sentimento de rejeição, precisava sempre da permissão(opinião) de alguém para dar o próximo passo, e caso não tivesse, não seguia. Caso esta crença faça parte de seu sistema, não quer dizer obrigatoriamente que ela tenha sido gerada sob as mesmas circunstâncias, no entanto este foi não apenas um exemplo, mas um testemunho de como pode ser instalada uma crença conforme vivenciamos um sentimento. Para desinstalar essa programação de mim, foi necessário entender o processo pelo qual minha mãe passava, entender que naquele momento eu era apenas um arquétipo de suas próprias cren...

Reprogramação 1- Como está sua mãe, quer ver quem ela realmente é?

Reprogramação 1- Como está sua mãe, quer ver quem ela realmente é?  Trabalhado como cerne da constelação sistêmica, a figura da mãe é o eixo central de referência emocional de como lidamos com nossa vida. A maneira que projeta sua relação com ela é a mesma maneira que projeta com as pessoas ao redor. Normalmente quando se pergunta como se baseia o elo entre você e ela, há um momento de reflexão sobre a maneira que fomos tratados por ela, principalmente na infância, até os sete anos de idade. Há uma chance de lembrar de uma bronca um pouco mais ostensiva do que aquela que hoje você consideraria ideal para aquele momento, e isso talvez tenha causado um sentimento de culpa pelo "erro" acusado, ou até mesmo pela palmada um sentimento de raiva. Vá até aquele momento, se for possível, e se veja como um espelho, como se ela estivesse se agredindo. Pergunte a ela, por que se agride? Ouça seu desabafo, e neste momento a humanizará, poderá então perdoá-la, livrá-la do cord...
Conte-me 4- Por que não torcem por nós? Está pronto para partir? É comum situações em que as pessoas que mais amamos torçam contra nós. Pode parecer até bizarro este processo, mas ele acontece muito mais do que percebemos. A questão é o por quê? Uma das motivações para este movimento contra por parte da pessoa que amamos, é o medo de não ser mais útil em nossa vida, e seguirmos em frente sem ela. O nosso sucesso pode ser a projeção alheia do próprio abandono, e há grandes chances de também termos cometido isso com alguém. Um grande aliado que temos pela jornada é o tempo e o aprendizado que ele nos traz. Este aliado nos mostra que pelo caminho muitos partirão e muitas vezes partiremos, o importante é a vivência deixada, de amor e de aceitação. Mais importante do que o período em que ficou, foi o sentimento que marcou. Assim sendo, resta dizer que torço para o seu sucesso, e até mesmo para sua partida, afinal, se partiu deixando em mim saudade, me ensinou a amar e ser amado. Por ...