Skip to main content
Relatos de Terapia 7- É uma Loba Solitária?

Depois do pedido de casamento de Ana, fui trabalhar no dia seguinte olhando aquela aliança em meu dedo. Era um homem comprometido a partir de agora.
Ao chegar na clínica, fui recepcionado por Morgana, que estava curiosa para saber o que havia acontecido. Então contei-lhe tudo que havia se passado, e ela ficou encantada com aquele pedido de casamento inusitado. Comecei ali a conhecer finalmente um pouco sobre minha vizinha de estabelecimento.
-Sabe Doutor, levei anos para conseguir fazer o que Ana fez, mandar um homem casar-se primeiramente com ele, e então depois me procurar. No entanto, quando este mesmo homem voltou, o liberei novamente.
-Ele não estava pronto?
-Não conseguiu. Faltava algo muito importante. Percebi que ele REJEITAVA a ideia de estar em grupo, pertencer a um grupo, e isso implicava em ter filhos. Para ele, enquanto fossemos apenas nós dois, não haveria problema, mas não conseguia se ver dentro de uma família. Entre eu e ele, a relação estaria mais segura, seria de igual para igual, segundo ele acreditava, com filhos, ele não teria este controle sobre a dinâmica da relação.
-Quando estamos em grupo, nossa consciência se dirige a criança que há em nós. Ao pertencermos a um grupo, estamos "disponíveis" para a decisão da maioria, e quando temos uma experiência negativa em nossa vida coletiva, criamos resistência para fazermos parte novamente de um outro grupo. Cria-se uma rejeição a esta dinâmica, decide-se então pela vida de um lobo solitário. Assim nossa criança fica disponível apenas para decisão de uma pessoa.Como foi a infância dele?
- Os pais o manipulavam, o usavam dentro das brigas de casal. 
-Imaginei, esta foi a base da vida em grupo que ele teve, e na base a criança dele foi manipulada, assediada psicologicamente. O que aconteceu com ele depois que o liberou?
-Casou-se e tem um casal de filhos, que receberam os nomes de seus pais. Ele entrou em terapia e conseguiu perdoar os pais, conseguiu se sentir abraçado por eles quando criança. Ressignificou-os, entendeu que erraram por imaturidade, não por não gostarem dele, conseguiu reconhecer momentos de acolhimento dentro daquilo que sabiam dar. Sentiu-se amado finalmente!
-E você, Morgana? O que rejeita em sua vida para atrair alguém que vibrava rejeição? Também é uma loba solitária?
-O meu caso fica para outro dia, preciso ir para a floricultura...

Todo trabalho de reprogramação deve ser feito com profissional qualificado para este fim.

Esta coluna é veiculada às seg, ter, e qui.
Contato para Atendimento e Palestras: 
autorlucasleonardo@gmail.com

Comments

  1. Sim, todos precisamos de ajuda para reprogramar nossa vida. Nosso DNA.
    Para nos libertamos de traumas que estamos conscientes e que fez moradia do subconsciente.
    Devemos muscar nossa felicidade.

    ReplyDelete
    Replies
    1. De fato grato! !! Todos nós a todo momento estamos nos reprogramando.

      Delete

Post a Comment

Popular posts from this blog

Reprogramação 2- Parado no caminho de novo?

Reprogramação 2- Parado no caminho de novo? Aqui vai um depoimento pessoal. No meu caminho para identificar a origem de crenças, acabei localizando uma memória ainda no útero de minha mãe. Uma memória de rejeição.  Não era a mim que ela rejeitava, era uma gravidez, um estilo de vida, uma relação dela com a percepção de realidade que ela tinha naquele momento.  Esse processo dela gerou em mim um sentimento de rejeição, precisava sempre da permissão(opinião) de alguém para dar o próximo passo, e caso não tivesse, não seguia. Caso esta crença faça parte de seu sistema, não quer dizer obrigatoriamente que ela tenha sido gerada sob as mesmas circunstâncias, no entanto este foi não apenas um exemplo, mas um testemunho de como pode ser instalada uma crença conforme vivenciamos um sentimento. Para desinstalar essa programação de mim, foi necessário entender o processo pelo qual minha mãe passava, entender que naquele momento eu era apenas um arquétipo de suas próprias cren...

Reprogramação 1- Como está sua mãe, quer ver quem ela realmente é?

Reprogramação 1- Como está sua mãe, quer ver quem ela realmente é?  Trabalhado como cerne da constelação sistêmica, a figura da mãe é o eixo central de referência emocional de como lidamos com nossa vida. A maneira que projeta sua relação com ela é a mesma maneira que projeta com as pessoas ao redor. Normalmente quando se pergunta como se baseia o elo entre você e ela, há um momento de reflexão sobre a maneira que fomos tratados por ela, principalmente na infância, até os sete anos de idade. Há uma chance de lembrar de uma bronca um pouco mais ostensiva do que aquela que hoje você consideraria ideal para aquele momento, e isso talvez tenha causado um sentimento de culpa pelo "erro" acusado, ou até mesmo pela palmada um sentimento de raiva. Vá até aquele momento, se for possível, e se veja como um espelho, como se ela estivesse se agredindo. Pergunte a ela, por que se agride? Ouça seu desabafo, e neste momento a humanizará, poderá então perdoá-la, livrá-la do cord...
Conte-me 4- Por que não torcem por nós? Está pronto para partir? É comum situações em que as pessoas que mais amamos torçam contra nós. Pode parecer até bizarro este processo, mas ele acontece muito mais do que percebemos. A questão é o por quê? Uma das motivações para este movimento contra por parte da pessoa que amamos, é o medo de não ser mais útil em nossa vida, e seguirmos em frente sem ela. O nosso sucesso pode ser a projeção alheia do próprio abandono, e há grandes chances de também termos cometido isso com alguém. Um grande aliado que temos pela jornada é o tempo e o aprendizado que ele nos traz. Este aliado nos mostra que pelo caminho muitos partirão e muitas vezes partiremos, o importante é a vivência deixada, de amor e de aceitação. Mais importante do que o período em que ficou, foi o sentimento que marcou. Assim sendo, resta dizer que torço para o seu sucesso, e até mesmo para sua partida, afinal, se partiu deixando em mim saudade, me ensinou a amar e ser amado. Por ...