Skip to main content
Relatos de Terapia 10- O que te trouxe aqui? 

Fim de tarde, antes de fechar o consultório, aparece uma moça e pergunta se há espaço para um atendimento ainda. Educadamente respondo que sim, e pergunto o que a trouxe até mim. Percebo um titubear antes da resposta.
-Não sei exatamente o que me trouxe aqui. Sei apenas que quero entender algumas coisas que acontecem comigo. Mas não sei em qual medida quero mudar as coisas, talvez apenas quero entender, mas não mudar.
-O meu trabalho é conduzi-la até a solução, o que fará com ela caberá apenas a você. 
-E se não quiser fazer nada com ela?
-Então já terá dado um grande passo a conhecer-se. Tenho dois tipos de cliente, aquele que quer entender a situação, e o outro que depois de entender quer agir conforme a solução encontrada. No entanto, fique em paz, cada um tem o seu tempo, e se acaso você resolver permanecer na situação mesmo depois de encontrar saída, é porque ainda acredita que pode aprender algo nela. 
-Não irá me achar covarde, Doutor? 
-Ao contrário, muitos dizem querer resolver algo,mas apenas querem fugir. Sabemos a hora de partir quando não razão para ficar. Respeite seu próprio tempo e movimento, no mais, estou aqui e aguardo por você amanhã. 
A moça foi embora, e eu a agendei para o dia seguinte. 
-Essa é corajosa! 

Contato para Atendimento Terapêutico, Thetahealing e Palestras :
autorlucasleonardo@gmail.com 

Comments

Popular posts from this blog

Reprogramação 2- Parado no caminho de novo?

Reprogramação 2- Parado no caminho de novo? Aqui vai um depoimento pessoal. No meu caminho para identificar a origem de crenças, acabei localizando uma memória ainda no útero de minha mãe. Uma memória de rejeição.  Não era a mim que ela rejeitava, era uma gravidez, um estilo de vida, uma relação dela com a percepção de realidade que ela tinha naquele momento.  Esse processo dela gerou em mim um sentimento de rejeição, precisava sempre da permissão(opinião) de alguém para dar o próximo passo, e caso não tivesse, não seguia. Caso esta crença faça parte de seu sistema, não quer dizer obrigatoriamente que ela tenha sido gerada sob as mesmas circunstâncias, no entanto este foi não apenas um exemplo, mas um testemunho de como pode ser instalada uma crença conforme vivenciamos um sentimento. Para desinstalar essa programação de mim, foi necessário entender o processo pelo qual minha mãe passava, entender que naquele momento eu era apenas um arquétipo de suas próprias cren...

Reprogramação 1- Como está sua mãe, quer ver quem ela realmente é?

Reprogramação 1- Como está sua mãe, quer ver quem ela realmente é?  Trabalhado como cerne da constelação sistêmica, a figura da mãe é o eixo central de referência emocional de como lidamos com nossa vida. A maneira que projeta sua relação com ela é a mesma maneira que projeta com as pessoas ao redor. Normalmente quando se pergunta como se baseia o elo entre você e ela, há um momento de reflexão sobre a maneira que fomos tratados por ela, principalmente na infância, até os sete anos de idade. Há uma chance de lembrar de uma bronca um pouco mais ostensiva do que aquela que hoje você consideraria ideal para aquele momento, e isso talvez tenha causado um sentimento de culpa pelo "erro" acusado, ou até mesmo pela palmada um sentimento de raiva. Vá até aquele momento, se for possível, e se veja como um espelho, como se ela estivesse se agredindo. Pergunte a ela, por que se agride? Ouça seu desabafo, e neste momento a humanizará, poderá então perdoá-la, livrá-la do cord...

Tempestade num copo de água?

Tempestade num copo de água? Bert Hellinger, em constelação familiar sistêmica, acredita que quando vemos um movimento de extrema raiva, sem justificativa ou conexão com a situação em si, é porque estamos diante de um quadro de identificação. Sabe aquela história da tempestade num copo de água? Pois bem, a origem muitas vezes está dentro de uma dinâmica de identificação. Mas, afinal, identificação com quem? Sabendo que a constelação familiar trabalha dentro das leis do amor e sua natural hierarquia, a dinâmica da identificação ocorre dentro de um movimento que a princípio pode ser inconsciente do indivíduo que acredita ter a responsabilidade de honrar um membro familiar que o antecedeu, que veio antes dele dentro daquela sistêmica. A questão é que como essa raiva desgovernada, e a necessidade constante de mostrar sua "idoneidade" está direcionada no qual ela é irreal, há grandes chances de o indivíduo que causa a tempestade acabar gerando conflitos desnecessários...